Depoimentos

Depoimento de Jorge Werner

“No dia 25/02/01, um lindo domingo de sol, por volta das 14 horas resolvi ir dar uma volta pelas praias da ilha, com minha moto CG 125. Ocorre que ao trafegar pela BR 282 “Via Expressa” no sentido BR 101 – Ilha de Floripa, passando à segunda passarela visualizei à uns dois palmos de mim uma linha de pipa (papagaio) com cerol, à qual não consegui escapar, atingindo assim meu pescoço, rasgando com uma facilidade incrível, tendo assim como trauma, o corte de várias veias e nervos do pescoço, inclusive com a abertura de uma traqueostomia, porém graças à ajuda divina de Deus, fiquei consciente, conseguindo parar a moto, pedir socorro e tentar estancar o sangue que jorrava muito, foi muito difícil pois ninguém parava, até que um casal parou e ajudou chamando os bombeiros, que chegaram rapidamente, e me encaminharam ao Hospital Gov. Celso Ramos, que através de uma cirurgia muito delicada e às pressas, conseguiram reconstruir todo o trauma. Com uma rápida e surpreendente recuperação já estou em casa, ainda me recuperando mas bem melhor. O que me surpreende, é que em todo o período de internação, descobri vários casos deste tipo de lesão com cerol de pipa, com motocicleta e até com bicicleta, sendo que grande parte das vitimas não resistiu, Morreu, outros ficaram sem os dedos ou cortaram outras partes do corpo. Fiquei sabendo também de lojas de 1,99, que vendem este produto o Cerol (que é vidro quebrado com cola, que é passado nas linhas das pipas (papagaios) e soube ainda que à músicas que falam também sobre o Cerol, sinceramente acho isso tudo um absurdo, será que a sociedade não tem conhecimento de que este “Cerol” é uma arma, mata pessoas, causa lesões graves. Gostaria que todos divulgassem este material e se conscientizassem e que não usassem ou não deixassem mais seus filhos colocarem Cerol nas linhas de suas pipas, principalmente em áreas urbanas. Contribuindo assim, para que o que aconteceu comigo, não aconteça com mais ninguém …. . pois a sorte que tive nem todos teêm. Gostaria de lembrar que este é somente um alerta, para os perigos do cerol, de forma alguma não gostaria de ofender ou prejudicar ninguém”.

Gostaria ainda, de deixar meus cumprimento e agradecimentos, a DEUS, Nossa Senhora Aparecida, meus pais, meus parentes, a todos os meus amigos, ao pessoal da Telesc Brasil Telecom, assim como ao casal que parou para me ajudar, aos bombeiros (Cabo Santos, Soldados Amorim e Roberto), à toda equipe do hospital Governador Celso Ramos, em especial, aos médicos Dr. Fábio May Filho, Dr. Henrique, Dr. Gabriel, aos enfermeiros(as), em especial, à Fernanda, agradeço também a todos que me acompanharam no hospital, que me mandaram mensagens de apoio e que de alguma forma me ajudaram, a todos meu muito obrigado, em breve estarei novamente na ativa.

Por Jorge Werner

Cerol Corta Até Asa de Avião!

As férias escolares são períodos em que a fiscalização dos filhos por parte dos pais deve ser intensificada, e a Polícia está atenta aos problemas que podem advir da maior movimentação de crianças e adolescentes pelas ruas da cidade.

Um dos divertimentos prediletos da garotada é empinar pipas. O livro “Cidade de Deus” faz menção de um diálogo sobre o uso do famigerado “cerol”, também conhecido como “cortante”. Trata-se de um composto fabricado com vidro moído e cola que costuma ser aplicado nas linhas de pipas para os disputados duelos que são travados em praticamente todas as cidades do Brasil. Ele é somente um dos riscos, pois na tentativa de resgatar pipas, crianças e adolescentes acabam sendo atropelados e sofrendo quebras de telhados e de árvores.

Muitas cidades já editaram leis municipais que proíbem veementemente a comercialização e o uso do referido composto, e estabelecem significativas multas para os infratores e para os pais que se omitem na fiscalização. Em alguns municípios tem sido definido local específico para que a prática não coloque em risco a integridade física de pedestres, ciclistas e demais usuários das vias públicas. A iniciativa é louvável, pois as disputas por pipas “cortados” incomoda muita gente.

Dados estatísticos da Fundação Brazilian Kite Club, que reúne apreciadores do passatempo, demonstram que pelo menos 10 pessoas morrem por ano no Brasil vítimas de ferimentos provocados pela linha revestida com vidro moído.

Tem sido freqüente a instalação de antenas nas motocicletas que trafegam nas grandes cidades. Elas impedem o contato das “anavalhadas” linhas das pipas com os corpos de pilotos e passageiros. Vários motociclistas já foram degolados pela falta da proteção, e até mesmo diante da dificuldade de visualização das linhas. Um corte na veia jugular pode causar a morte de uma pessoa em poucos minutos e dificilmente a hemorragia é estancada tempestivamente.

O cerol também pode provocar curto-circuito em redes elétricas e telefônicas, e vários casos de eletrocussão, consumados quando as vítimas tentavam retirar pipas presas em fios, já foram veiculados pela imprensa. As descargas podem atingir 4000 volts. O uso de papel laminado na confecção da pipa também é muito perigoso. Boa parte dos blecautes atendidos pelas companhias elétricas são provocados pelas linhas de pipas.

Em 1997 três policiais militares morreram durante um vôo de treinamento no Distrito Federal. De acordo com o laudo do Instituto de Criminalística, da Polícia Civil, partículas de vidro cortaram a corda em que estavam presos os militares. Eles morreram instantaneamente. “O caso gerou uma discussão enorme e ficou comprovado que a velocidade do impacto do helicóptero com a linha acabou provocando o corte da corda”, lembra André Luís Peres, presidente da Associação Brasiliense de Peritos Criminais.

Em Santo André uma senhora de 74 anos caminhava quando foi atingida e morta por uma linha que foi se enroscou e foi arrastada por um veículo que transitava normalmente pelo local.

De todos os casos que pesquisamos na Internet, o mais curioso foi registrado em Sorocaba(SP), onde uma linha com cerol cortou parte da asa de um avião monomotor. Na mesma cidade há registro de um acidente envolvendo um pára-quedista que caiu de uma altura de 15 metros depois que seu pára-quedas foi atingido por uma linha de pipa com cerol

No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, onde é proibido o uso do cerol, a lei determina que as escolas, no início de cada semestre, realizem campanhas educativas para orientar seus alunos. Recomendamos aos nossos professores que façam o mesmo.

Já houve até mesmo proposta para que o uso indevido do cerol se transformasse em contravenção penal.

A morte provocada por uma linha com cerol pode implicar, dependendo da situação, na responsabilização do infrator por homicídio culposo (sem intenção, mas com negligência ou imprudência) ou mesmo por homicídio doloso, intencional, quando ficar provado que o agente queria o resultado ou que o previu e não se preocupou com a sua possível ocorrência. Se a morte não se efetivar, poderemos estar diante do crime de lesão corporal culposa ou dolosa, conforme o caso.

O mero ato de empinar pipa fazendo uso da linha com cerol, na nossa opinião, pode configurar o delito de “perigo para a vida ou a saúde de outrem”, previsto no artigo 132 do Código Penal, e punido com pena de 3 meses a 1 ano de detenção. Se a ação tiver sido praticada por pessoa de 12 a 18 anos, o fato será batizado como “ato infracional”, e o adolescente se sujeitará às penas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Ninguém pode alegar que desconhece o risco de acidentes, até porque muitos deles vitimam o próprio usuário durante a fixação do cerol na linha (cortes nas mãos etc.).

É preciso que a prática seja abolida, e que todos os cidadãos a denunciem ou, dependendo do caso, se o risco for iminente, cuidem pessoalmente da apreensão e do repasse à Polícia dos carretéis e pipas que ofereçam risco à coletividade.

Não é à toa que “passar o cerol” é uma das gírias utilizadas pelos traficantes cariocas para se reportarem o ato de matar alguém…

Adriano Rodrigo Ponce de Oliveira
Delegado de Polícia, Diretor da Cadeia Pública
e da 37ª Ciretran de Getulina (SP)

Acidente de Vania – 13/11/2005 19:04

Era final da tarde de domingo, do dia 13/11/2005, aproximadamente 18:30h. Estava de moto indo a uma festa com uma amiga, pela via Dutra, sentido Rio/São Paulo, na cidade de Taubaté. Quando a linha de uma pipa (papagaio) cortou meu rosto, de uma face a outra, entre o lábio superior e o nariz, foi um corte muito profundo, chegou a vazar meu rosto, a ponto de meu lábio superior ficar pendurado e aparecer meus dentes entre o corte, até cortou parte de minha gengiva. Perdi muito sangue, mas não precisei de transfusão. Ficamos, eu e minha amiga, por minutos acenando, pedindo socorro, mas os carros não paravam, uma viatura da polícia passou e não parou. Até que um casal de ANJO (É assim que chamo o Douglas e Luciana, pessoas que me socorreram) parou e me levou até um hospital. Graças à humanidade deles, fui socorrida a tempo. No hospital não tinha nenhum especialista de plantão. Mas apareceu outro ANJO, um cirurgião cardíaco, o Dr. Kleber Hitose, que fez uma obra de arte em meu rosto. Graças a sua habilidade cirúrgica, fiquei com uma cicatriz mínima e não houve nenhum dano maior ao sistema funcional do meu rosto. Estou tendo uma recuperação milagrosa. Eu estava com um capacete aberto, por isso a linha cortou meu rosto. Se eu estivesse usando um capacete fechado a linha teria deslizado e cortado o meu pescoço, e pela gravidade do corte sofri, se fosse no pescoço teria sido um acidente fatal. Agradeço muito a Deus por ter me iluminado no momento do acidente, pois tive lucidez para ligar a seta, reduzir a velocidade que era entre 80 e 100km, e guiar a moto até o acostamento, tudo isso enquanto a linha corta meu rosto, até que minha amiga conseguiu arrebentar a linha. Se eu tivesse perdido o controle, cairíamos na faixa da esquerda e seríamos atropeladas pelo primeiro carro que passasse.

Vania Lúcia Matos Terriaga Cunha
Moto Clube Carrascos – Tremembé

Linha com vidro moído quase prova acidente em Interlagos
27/06/2003

O kartista Leonardo Cordeiro, de 13 anos, teve a balaclava, o macacão e a fita que prende o capacete cortados durante treino para o Campeonato Paulista; pai alerta famílias para que tomem providências

São Paulo – O piloto Leonardo Cordeiro, de 13 anos, levou um susto durante treinos no kartódromo de Interlagos, onde será disputado neste final de semana a 6o etapa do Campeonato Paulista de Kart. Num dos trechos da pista ele se deparou com uma linha de pipa com cerol (vidro moído com cola, o chamado “cortante”). O fio passou na altura do pescoço, fez um rasgo no macacão e cortou a balaclava e a fita que segura o capacete. Por pouco não atingiu o corpo do garoto, o que, com a velocidade, poderia ter sido fatal.

“Não deu tempo de parar. Quando eu vi já estava em cima da linha. Felizmente estou bem”, disse Leonardo. O pai do piloto, Osman Cordeiro, que assistia aos treinos, ficou indignado. “Até agora só tinha visto motociclista ser atingido com cerol nas ruas. Não imaginava que essa falta de segurança pudesse existir também dentro do kartódromo de Interlagos”, diz Osman. “Se ele não estivesse com todos os equipamentos de segurança a linha teria degolado o menino. A sorte é que o Leonardo conseguiu frear quando percebeu a linha. Foi por Deus”, afirmou o pai.

A equipe de Leonardo Cordeiro instalou uma espécie de antena no kart, como as usadas por motoboys. O objeto tem a função de “segurar” e quebrar a linha, impedindo que ela atinja o piloto. “Assim evitamos que o pior aconteça e aproveitamos para alertar as famílias dos outros pilotos para que também tomem providências”, pede Osman.

Apesar do incidente, Leonardo está confiante nas provas que tem pela frente: o Campeonato Paulista de Interlagos, neste sábado, e para a primeira fase do Campeonato Brasileiro, de 8 a 12 de julho, em Itumbiara (GO).

O piloto Leonardo Cordeiro tem patrocínio da Orion e da Minoica Global Logistics.

VipComm
Cláudia David
Assessoria de imprensa Leonardo Cordeiro
Site na internet: www.vipcomm.com.br
E-mail: claudia@vipcomm.com.br

Luvas evitariam problema de empresário
Do Agora – Caderno Máquina

“Eu estava andando com minha moto na avenida Engenheiro Caetano Álvares (zona norte da capital paulista) a 60 km/h. De repente, vi uma linha de pipa com cerol (pó de vidro misturado com cola) no meio do caminho.

Porém, não tive tempo de desviar e percebi que o seu pescoço iria ser atingido. Instintivamente levantei a mão direita e consegui empurrar a linha por cima de minha cabeça, livrando-se do perigo. Só não consegui evitar a queda da moto.

Ela saiu rodando e ele quase se enrolou no cerol. Quando me levantei, percebi que o dedo mínimo de minha mão estava sangrando muito. Como resultado, levei seis pontos e fiquei com o dedo ligeiramente torto.

Se naquele momento eu estivesse usando uma luva de couro, estaria com a mão intacta hoje. Nunca mais andei de moto sem luvas nas mãos depois desse susto”, conta o empresário”.

Donizete da Silva

Até quando

Nesta semana que passou, mas precisamente no dia 27 de agosto de 2.004, meu filho e eu estávamos passando em uma praça aqui perto da minha casa, quando ele e eu nos enroscamos em uma quase invisível linha de pipa que estava presa entre duas árvores. Fiquei desesperado ao ver que a linha estava bem próximo ao seu pescoço, e ele indicou um impulso de sair correndo. Imediatamente segurei ele para que não se debatesse. Tentei desenroscar a linha, mas não consegui. Tive que cortar a linha em vários lugares podermos nos livrar. Olhei em volta para ver se via algum daqueles “marmanjos” soltando pipa, pronto para dar a maior bronca da minha vida, mas só vi algumas crianças entre 5 a 12 anos, em volta de mim. Algumas delas até conversaram comigo, mas estava com tanta raiva, que nem consegui entender nada o que eles diziam. Me recuperei do susto e voltei para casa, só observando no caminho. Já não bastasse as crianças desavisadas, vi vários “adultos” sem consciência, soltando pipa usando linha com cortante. Quando fui dar banho no meu filho, levei outro susto ao ver a cicatriz no seu pescoço. Na hora do acidente eu não vi nada na sua pele, e pensei ele não tivesse se machucado. Comecei a tremer de raiva ao imaginar o que poderia ter acontecido se ele tivesse corrido, ou se alguém puxasse aquela linha. Liguei para a Polícia Militar e expliquei o que aconteceu. O policial disse que não podia fazer nada, e que eles só poderia agir se ele tivesse se machucado mais gravemente, e teria que saber quem era o dono da linha, para fazer um B.O. e processar por lesão corporal, ou seja, só depois de um acidente grave, é que a polícia poderia fazer alguma coisa. Perguntei então se eles não poderiam passar de vez em quando pela região e recolher as linhas com cortantes das pessoas que tivessem usando, então o policial disse que não sabia se existia alguma no município que proibisse o uso do cortante, ele falou que “parecia” que existia uma lei que proibia a venda da cola com vidro para aplicar nas linhas. Liguei então para o Corpo de Bombeiro e novamente expliquei o que aconteceu. Novamente, o soldado que me atendeu disse que não poderia fazer nada. Disse que nessa época de férias os acidentes com pipas aumenta, e disse que em Osasco não existe nenhuma lei que proiba o uso de cortante. Inclusive, disse que perdeu um amigo motoqueiro que morreu degolado por uma linha com cortante. Depois que desliguei o telefone, fiquei pensando que no outro dia, milhares de crianças e “marmanjos” estariam soltando pipa com linha com cortante e outras crianças, pedestre e motoqueiros sofreriam o risco de se acidentarem da mesma maneira como aconteceu com o meu filho. E que certamente alguns desses acidentes seriam mais graves, e certamente alguns deles viriam a morrer de forma estúpida e desnecessária. E no próximo dia a mesma coisa, e no próximo também.

E até quando teremos que esperar? Quantas pessoas mais terão que se acidentar ou morrer para que as autoridades façam alguma coisa?

Rogério Teixeira Bacalhau

Ciclistas também são vítimas:

Era por volta das quatro da tarde e eu estava passando numa rua longa do meu bairro, para ir a academia. Para ajudar no aquecimento antes dos exercícios, eu estava de moletom na minha bicicleta.

Eu uso luvas e capacete, já que ando muito com ela no bairro e até mais longe de casa.

Quando estava chegando na academia senti algo estranho na altura do meu peito e percebi que tinha algo enroscado. Pequei com a mão aproveitando a capa da luva na palma e vi a linha com um aspecto grosso que era o cerol. De imediato me assustei, já imaginando que já estava ferida ou cortada e desgovernei a bicicleta e batendo num carro estacionado.

O dono me socorreu e me ajudou a levanta, me alertando que com o início das férias aumentou o número de crianças com pipas. Felizmente só foi um susto e joelhos arranhado, mas poderia ser pior.

Eu voltei para casa, relatei o fato ao meu pai e fui comprar uma antena assim como as motos estão usando.

Usuários de bicicletas estão sujeito a se ferir com cerol também. Há aqui no meu bairro uma rua longa com uma leve descida que gostamos de deixar a bicicleta deslizar e ela atinge uma boa velocidade. Tive sorte de só me assustar, mas imagina uma bicicleta em alta velocidade e a pessoa que a conduz ser atingido no pescoço.

Ana Paula Pimazoni Béjar – São José do Rio Preto – S.P.
Mais conhecida como “Cabelo de Fogo”.

“O raio caiu no mesmo lugar denovo”, o segundo acidente com cerol de Thiago

“Depois de 2 anos que me acidentei com linha, nunca mais andei com moto sem antena. Porém no primeiro dia que andei sem antena aconteceu de novo. No caso eu não estava com minha moto. Eu estava transitando na linha Amarela (RJ) e desta vez a linha pegou no meu capacete na altura da boca. Se fosse um pouco mais para baixo me cortaria o pescoço novamente. E como estava com mais velocidade, dessa vez talvez poderia ser fatal. Por sorte consegui segurar a linha mas mesmo assim cortei o ombro. Levei 7 pontos.”

Thiago A. C. da Costa

Depoimento de um sobrevivente.

Eu sou morador do Rio de Janeiro, moro no bairro Catumbi, Centro do Rio.

Dia 08 de Janeiro de 2008, eu vinha com a minha titan 125 em cima do viaduto que vai do centro para o túnel Santa Bárbara, em direção ao bairro de Laranjeiras.

Na época eu trabalhava como mototaxista e o meu ponto era no meu bairro Catumbi, exatamente onde passa o viaduto que eu estava.

Eu vinha do centro transportando um morador do bairro, eu vinha sobre um viaduto e tive que diminuir a velocidade da moto porque eu ia sair do viaduto para fazer um retorno sobre o túnel Santa Bárbara, quando desceu na minha frente uma linha amarelada. Essa linha era a tal linha chilena que já vem preparada com cerol…. Sem a menor chance de defesa, ela veio na altura do meu pescoço e ao mesmo tempo em que eu tentava frear a moto eu tentava tirar a linha que começava a cortar a minha garganta. Não teve jeito ela foi rasgando a minha garganta de um lado ao outro até que ao colocar o meu braço ela quebrou, mas já era tarde o estrago estava feito. 50 metros à frente consegui parar a moto, o passageiro desceu, eu deitei a moto, tirei o capacete e coloquei a mão sobre o corte. Aí foi um desespero, pois na hora me lembrei de outros acidentes com linha de cerol em que as pessoas não conseguiram sobreviver e fiquei louco de terror. A morte estava na minha carne, era real. Eu gritava apavorado que ia morrer. Na mesma hora retirei a minha camisa, fiz um amarrado e coloquei sobre o corte que jorrava sangue e com as duas mãos pressionei, a linha não tinha cortado as minhas cordas vocais, a cartilagem do meu pescoço evitou que a linha atravessasse a minha garganta, por isso podia falar, corri em direção a uma viatura da PM que estava estacionada no entrada do túnel e aos gritos pedi que me levassem ao Hospital Souza Aguiar, imediatamente eles me conduziram, inclusive tive que guiá-los pois eles eram novos na área. Chegando lá, pulei da viatura e corri para uma maca. Foi a maior dificuldade tirar as minhas mãos que segurava a camisa no meu pescoço, eu não tinha coragem de soltá-las, os médicos fizeram isso por mim. Deitado, fui analisado por uma médica que logo de cara disse que o problema era sério. Imagine a minha cabeça…….. Bom, logo fui levado para um centro cirúrgico, antes de ser sedado e operado, eu orei e já pensando que poderia não mais voltar, eu pedi perdão a Deus de todos os meus pecados e que tivesse misericórdia da minha alma, dormi orando. Três horas depois despertei, vários vasos reconstituídos, com vinte pontos internos e dez externos com uma distancia de +- um centímetro um do outro, pensei ¨SOBREVIVI¨, na mesma hora eu ia sendo conduzido para a enfermaria quando escutei a voz da minha filha Beatriz me gritando, nessa hora definitivamente chorei muito, ela correndo veio me abraçar e choramos muito juntos, agradecemos a Deus pela minha vida . Fiz uma entrevista para a Rede Record para o ¨balanço geral¨ em janeiro de 2008 e na terça feira 14/07/2009.

Levei três meses em repouso para poder cicatrizar o ferimento, gastei 10 vezes mais do que o valor de uma antena em curativos. Atualmente não trabalho mais de moto e nem ando sem antena.

Ricardo Pereira

Eu, Ednaldo trafegava com minha moto, pela Rua Floriano Peixoto nas proximidades do Posto de Saúde 24 de Abril, quando por sorte não fui degolado por uma linha de cerol em plena rua. Eu já havia reduzido a velocidade da moto quando senti a minha garganta arder. Em seguida parei a moto e ao passar a mão garganta observei um grande sangramento. Foi aí que percebi que havia sido atingido por uma linha de cerol de uma pipa que caíra na rua nas proximidades. Fui socorrido no hospital, recebi 4 pontos na garganta e a certeza de que “nasci de novo.”

Ednaldo Espanhol 28/01/2010

Eu estava pilotando minha moto com a minha mulher na garupa, subindo uma rua a uns 30 km/h quando fui surpreendido por uma linha de pipa, não sei dizer ao certo se ela estava presa aos fios, poste sei lá… só sei que veio direto em meu pescoço. Freiei bruscamente já imaginando que tinha acontecido o pior. Mas Graças a Deus foi só um susto, pois a linha estava sem cerol, eu estava em baixa velocidade e a mesma estava solta. Deixou um vergão em meu pescoço… Imagina se eu estivesse em alta velocidade, se tivesse cerol na linha ou se a mesma estivesse presa em algum veículo… Com certeza eu não estaria vivo. Portanto, creio que não basta abolir somente o cerol, pois a linha em si é uma lamina mortal.
Obs. Até ontem eu não gostava de usar antena cortante, achava feio, etc… Já coloquei na moto e a vejo como a minha única defesa contra essa brincadeira assassina “linha de pipa”.

Alex Cavalcante Mogi das Cruzes – 02/02/2010

Amigos motociclistas, por muito pouco eu não estaria neste momento escrevendo essa mensagem; ao retornar do encontro de Cabo Frio, na Niterói-Manilha (BR101) fui atingido no pescoço por uma linha de pipa numa velocidade de 130km/h, com todas as dificuldades naquele momento tentei manter a calma, mesmo perdendo exageradamente sangue e a lucidez. Passado as primeiras dificuldades, fui submetido a uma cirurgia para reconstrução muscular, sutura de traqueia e veia jugular anterior, exames de ressonâncias e tomografias e 3 dias internado na UTI do Hospital Espanhol. Hoje graças a vontade de DEUS me encontro em meu lar em repouso aguardando minha tão esperada recuperação.
Por essa peço para que no mínimo andem sempre com a maior cautela possível quanto a esse grande inimigo chamado linha e cerol. Protetores de pescoço, antenas enfim já que nossos governantes não estão nem ai em cumprir leis que proíbem o uso de cortantes em linha de pipa temos que nos defender ou o pior pode acontecer.
Abraços a todos os amigos da comunidade.

Leonardo Rodrigues Rio de Janeiro – 21/07/2011